sábado, 14 de maio de 2011

NEGROS DO ROSÁRIO PARTICIPAM DE CORJETO E SARAU CULTURAL



Os Negros do Rosário de Jardim do Seridó e Boa Vista / Parelhas, particparam da solenidade de reabertura da Casa de cultura de Jardim do Seridó. Com a presença da população jardinense e várias autoridades o Palácio Poeta Antônio Antídio de Azevedo reabriu as portas para as atividades da Casa de Cultura Popular. A solenidade aconteceu ontem, sexta-feira, às 19h, e foi prestigiada pela presidente da Fundação José Augusto, Ana Neuma, a coordenadora das Casas de Cultura do RN, Joana Darc, o prefeito da cidade, Pe. Jocimar Dantas e demais autoridades.
“É um momento ímpar para a cultura da cidade de Jardim do Seridó. Foram apresentadas várias peças culturais de diversos segmentos culturais da cidade. Com isso, queremos incentivar todos os grupos de Jardim do Seridó para que continuem abrilhantando a cidade. Parabenizamos a todos pela festa”, disse Pe. Jocimar Dantas.
O sarau cultural foi marcado pelas apresentações da Banda de Música Euterpe Jardinense, a Irmandade dos Negros do Rosário, o Grupo Entre Amigos, apresentação da Miss e do Mister Jardinense e demais artistas locais. A noite também marcou a entrega simbólica da chave da Casa de Cultura Popular ao historiador Diego Marinho de Gois, novo Agente de Cultura de Jardim do Seridó. O ato simbólico foi realizado pela coordenadora das Casas de Cultura Popular do Rio Grande do Norte, senhora Joana Darc Xavier.
Fonte: http://oliveirageraldo.blogspot.com/

sábado, 30 de abril de 2011

ANTROPÓLOGO REALIZA PESQUISA SOBRE A FESTA DO ROSÁRIO DE JARDIM DO SERIDÓ-RN


O antropólogo Bruno Goulart Machado Silva, aluno do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, na área de Ciências Sociais, mestrado em Antropologia, está realizando pesquisa de dissertação tendo como objeto de estudo a Festa dos Negros do Rosário de Jardim do Seridó-RN. O trabalho tem como orientadora a professora Julie Cavignac, da UFRN.
A Festa do Rosário, objeto de estudo, acontece na cidade de Jardim do Seridó, sertão do Rio Grande do Norte, nos dias 30 e 31 de dezembro e 1º de janeiro de cada ano, desde 1863. A festa envolve dois grupos de Negros do Rosário: o da cidade, também denominado de Caçote e o da Comunidade Rural Boa Vista dos Negros, do visinho município de Parelhas-RN.
Em contato com o Blog dos Negros do Rosário de Jardim do Seridó-RN, o antropólogo Bruno afirmou que o “interesse temático é pela irmandade do Rosário e São Sebastião e o ritual realizado pelos negros do Rosário durante a bonita festa que acontece na virada do ano. Me alegra ver a receptividade das pessoas, que sempre tem o carinho e o cuidado de me receberem em suas casas, e responderem perguntas muitas vezes óbvias demais. Estou em Jardim, talvez, no papel daquilo que Mario de Andrade chamou de um turista aprendiz, em oposição ao turista que viaja aos lugares apenas, e se esquecem que a geografia é sempre uma geografia sentimental. Talvez seja isso que eu tanto busco em Jardim, sentimento; o sentimento de pessoas por uma festa, por uma santa, por um lugar. A busca pelo sentimento que a dança, que o reinado que o som do pífiro e dos tambores invocam para os negros do Rosário, para os que são, os que já foram e os que serão, Negros do Rosário. Sem querer ser romântico demais, e dizer que consigo sentir essa paixão, eu diria que me encanta ver que existe tal paixão, e faço proveito do mistério, que é para mim, ver tal paixão. Esse orgulho de ser e se mostrar negro num país onde muitos preferiram se esconder, essa devoção a Nossa Senhora do Rosário que reune e ilumina em um ato de amor um grupo que a nossa história insiste em negar e apagar. Para além de fazer o meu trabalho, o que eu busco em Jardim é a inspiração para realizá-lo”.
Bruno Goulart tem realizado diversas visitas as casas dos membros da Irmandade de São Sebastião e Nossa Senhora do Rosário, desde a festa de 2010, colhendo depoimentos acerca da festa e do significado do ritual que envolve a dança do espontão e a coroação do Rei e da Rainha da Irmandade. Como ele mesmo afirmou, “o sentimento de pessoas por uma festa, por uma santa, por um lugar”. Bruno continuará visitante a cidade e os Negros do Rosário durante todo o ano de 2011, até a conclusão da dissertação.

sábado, 23 de abril de 2011

PRIMITIVA IMAGEM DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO É RESTAURADA


A primitiva imagem de Nossa Senhora do Rosário de Jardim do Seridó-RN, de propriedade da venerável Irmandade dos Negros do Rosário foi restaurada recentemente, pelo artista plástico Ambrósio, da cidade de Acari-RN. Parabéns ao Tesoureiro da congregação, o senhor Clésio José da Silva, pela importante iniciativa de restauração desta peça sacra, que foi venerada por geração e geração de negros, pertencentes a Irmandade. A restauração da imagem está relacionado aos preparativos de comemoração dos 150 anos da chegada desta imagem e consequentemente início dos festejos a Nossa Senhora do Rosário na cidade de Jardim do Seridó-RN.
HISTÓRICO
A primeira imagem de Nossa Senhora do Rosário chegou a Villa do Jardim, atual cidade de Jardim do Seridó-RN, por volta da segunda metade do século XIX. Nesta época, a Villa do Jardim, recém-instalada (1858), vivenciava um período de intensas transformações político-religiosas, advindas da criação da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Azevedo (1856), da Emancipação Política e instalação do Município (1858-1859), da construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição (1860), dentre outras.
Com a inauguração da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, chegou para habitar em um dos altares laterais, a diminuta imagem de Nossa Senhora do Rosário, esculpida em madeira e de estilo barroco. O antropólogo Veríssimo de Melo conheceu esta imagem em 1963 e assim descreveu:
“Esta imagem, que fotografamos, é uma velha e expressiva peça de madeira, de meio metro, talvez, de altura, com as características das imagens portuguesas. A informação que circulava era de que a imagem tem mais de cem anos. A festa teria surgido depois da chegada da imagem a Jardim do Seridó” (MELO, 1964, p. 13).
Com base nas informações supracitadas, podemos concluir que, com a chegada da imagem, surgiu a devoção a Virgem do Rosário, cujo culto no Brasil é confiada, sobretudo, aos negros. Esta devoção foi transformada em Festa “em 1863 por Joaquim Antônio do Nascimento, tendo como primeiro batedor de caixa Luiz Joaquim de Santana, tambor-mor Marcelino da Boa Vista e capitão de lança Francisco do Logradouro” (REVISTA DA FESTA, 1978, p. 08).
Sobre a chegada da imagem de Nossa Senhora do Rosário a Villa do Jardim, atual cidade de Jardim do Seridó-RN, a história oral conservou diversas narrativas, que eram passadas de geração a geração, de pais para filhos. A senhora Inácia Maria da Conceição (in-memoriam), 90 anos de idade na época da entrevista, narrou que: “Meus avôs falava que ela apareceu numa serra, aí foram buscar com músiga [música], chegava butava [sic], aí ela voltava pra traz, pra o mesmo lugar. Depois foram buscar as caixinhas, essas caixinhas, os tambor com seus espontões, aí foram buscar, aí trouxeram, ela ficou, aí ficou chamando ela de Nossa Senhora do Rosário; foram os negros que vieram, que foram buscar” (CONCEIÇÂO, 2005).
Esta imagem ficou exposta para a veneração dos fiéis em altar até a aquisição de uma nova imagem feita em gesso. Com a chegada da nova imagem da Virgem do Rosário, a primitiva peça ficou sobre a guarda dos Tesoureiros, que repassava para o seu sucessor. No entanto, devido a possibilidade de deteriorização e de furto, a antiga imagem foi recolhida novamente para a Igreja Matriz, ficando conservada na Pia Batismal, lugar mais seguro; só saindo em raríssimas ocasiões.
No ano de 2008, por ocasião da posse do novo Tesoureiro da Irmandade, a primitiva imagem foi utilizada no ritual de transmissão do cargo. O Chefe da Irmandade, o Senhor Antônio José dos Santos, representando o antigo Tesoureiro, entregou nas mãos do novo Tesoureiro a imagem de Nossa Senhora do Rosário, aos aplausos dos presentes. Este mesmo ritual foi seguido na transmissão do cargo do Tesoureiro Diego Marinho de Gois para Clésio José da Silva.
Estas são, portanto, algumas informações sobre a antiga imagem de Nossa Senhora do Rosário, objeto de veneração por parte dos nossos antepassados, brancos ou negros, livres ou cativos, que viam nesta imagem, mais do que um simples objeto de devoção, um objeto sagrado que materializava a esperança de dias melhores, de alívio dos sofrimentos cotidianos, das injustiças sociais.
Em torno desta imagem foram congregados os mais diferentes sujeitos sociais, sendo vivenciado nos três dias em que duravam as Festas dos Negros do Rosário, um novo tempo, onde o sofrimento e a tristeza davam lugar a alegria e a felicidade. Por isto, não é de se estranhar que diversas promessas fossem realizadas sobre a interseção de Nossa Senhora do Rosário, promessas de “até morrer vos hei de sempre amar”.

sábado, 16 de abril de 2011

EX-TESOUREIRO DA IRMANDADE DO ROSÁRIO ASSUME CASA DE CULTURA DE JARDIM DO SERIDÓ


O ex-tesoureiro da Irmandade de São Sebastião e Nossa Senhora do Rosário de Jardim do Seridó-RN, assume a Casa de Cultura Popular Palácio Poeta Antônio Antídio de Azevedo, da Fundação José Augusto. A nomeação foi publicada hoje, dia 16 de março, no Diário Oficial do Estado do Rio Grande do Norte.
Diego Marinho de Gois [foto ao lado da Secretária Extraordinária de Cultura] é Bacharel e Licenciado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Especialista em Geopolítica e História pela Fundação Francisco Mascarenhas e Mestrando em História pelo Programa de Pós-Graduação em História da UFRN.
Durante a graduação atuou nas áreas de História Cultural e Social, tendo a questão das festas religiosas e do negro como problemática de pesquisa. Dos contatos mantidos com os Negros do Rosário de Jardim do Seridó-RN surgiu o convite para ser o tesoureiro da Irmandade de São Sebastião e Nossa Senhora do Rosário.
Atualmente, está voltado para a História Social e Urbana, sendo o espaço, a cidade e a modernidade áreas nas quais desenvolve suas pesquisas, tendo como objeto de estudo a cidade de Jardim do Seridó-RN do início do século XX.
Foi coordenador de Cultura da Prefeitura Municipal de Jardim do Seridó entre 2009 e 2010, quando pediu exoneração para poder se dedicar ao período de aulas do mestrado em Natal. Retorna a cidade para assumir a gerência da Casa de Cultura a convite do Padre Jocimar Dantas de Araújo, prefeito do município.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

TONS DO BRASIL APRESENTA PROGRAMA SOBRE A DANÇA DO ESPONTÃO


A dança do espontão realizada pelos Negros do Rosário de Jardim do Seridó-RN foi destaque no programa de rádio Tons do Brasil, produzido pela NPM - Núcleo de Produções Musicais de Minas Gerais e veiculado em uma rede 75 emissoras de rádio do Brasil e do exterior.
O objetivo do programa é ser uma vitrine da diversidade musical e cultural brasileira.
A referida dança foi destaque no quadro "Tradição Popular", que busca mestres populares e pesquisadores que possam falar um pouco (de forma bem didádica) sobre as manifestações culturais populares do nosso país. O programa é um sucesso de crítica e audiência em diversos estados brasileiros e é apresentado pelos jornalistas Daniella Zupo e Roger Deff.
O quadro foi gravado pelo ex-tesoureiro da congregação, o historiador Diego Marinho de Gois, que relatou o significado da Dança do espontão e da tradição dos Negros do Rosário.
Todas as edições do programa podem ser ouvidas no site da NPM:
http://npmdifusaodemusica.com.br/plus/modulos/conteudo/?tac=programas-tons-do-brasil-pt, sendo que para ouvir o programa sobre a Dança do Espontão, o ouvinte deverá selecionar o Download de programa: Tons do Brasil 40 – 02/02/2010.

segunda-feira, 28 de março de 2011

HOMENAGEM DA IRMANDADE DO ROSÁRIO AO MONSENHOR ERNESTO


No dia 28 de janeiro de 2011 a cidade de Jardim do Seridó-RN recebeu a triste notícia do falecimento do Monsenhor Ernesto da Silva Espínola, antigo pároco de Nossa Senhora da Conceição de Jardim do Seridó-RN. Nascido na vizinha cidade de Acari-RN no dia 07 de novembro de 1927, o Padre Ernesto, como era carinhosamente conhecido, foi ordenado Sacerdote do Altíssimo em 04 de dezembro de 1955, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Guia de Acari, pelo então Bispo de Caicó-RN, Dom José Adelino Dantas. Durante o longo paroquiato dedicado a Jardim do Seridó-RN, de 1958 a 2001, o Monsenhor Ernesto manteve boas relações com a Irmandade de São Sebastião e Nossa Senhora do Rosário, conhecida popularmente como Irmandade dos Negros do Rosário.
Em maio de 2006, tive o prazer de conversar com o Monsenhor Ernesto em sua residência. Já debilitado pela doença, mas como uma boa memória, capaz de relembrar o seu envolvimento com a Festa dos Negros do Rosário, celebrada em Jardim do Seridó-RN desde 1863. O mesmo narrou que “era menino em Acari, ouvia falar dessa festa do Rosário. Eu tinha vontade de vim, mas não tinha oportunidade, somente como vigário foi que eu tomei conhecimento e achei muito bonito porque reúne a comunidade toda, brancos e pretos”.
A relação do padre Ernesto, como era conhecido, com a Irmandade do Rosário e em particular com os Negros do Rosário, era marcada pelo respeito e admiração de ambas as partes, conforme se percebe tanto nas entrevistas com os negros, como na realizada com ele. Mesmo antes de se tornar pároco de Jardim do Seridó-RN, padre Ernesto já celebrava essa festa, conforme relatou: “no período de padre Aluísio ele não gostava muito, não era amigo assim da festa, que eu vim substituir duas vezes aqui, duas ou três vezes porque ele não fazia a festa, ele tinha raiva, aí eu vinha fazer a festa”.
Além disso, a partir de 1958, padre Ernesto assumiu o ministério sacerdotal da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Jardim do Serido-RN e em virtude dessa posição, celebrou as festas dos negros por 42 anos. Em 2000, renunciou ao paroquiato, recebendo de Dom Jaime Vieira Rocha, então Bispo de Caicó-RN, o título de Pároco Emérito; mesmo assim, continuou realizando o sacrifício da Missa em uma capela particular localizada em sua residência à rua José da Costa Cirne, em Jardim do Seridó-RN. Todos os anos recebia os Negros do Rosário em sua residência nas tradicionais “visitas” que o grupo realiza as residências da cidade no período da Festa.